[ CARTA 1 ]*
- giubergamo
- Jun 14, 2021
- 3 min read
Updated: Jun 15, 2021
Olá.
Você está recebendo esta mensagem porque a gente tem uma história. Talvez ela se resuma a uma troca de emails. Ou talvez seja uma amizade que já está completando décadas. Seja como for, me senti à vontade para escrever a você uma carta com amor. Ou várias porque, se você topar, eu prometo que continuo. Mas calma (ou desculpa?): não é uma carta de amor romântico. Está mais para um S.O.S., um pedido de socorro: eu escrevo e você me salva lendo. Ou a gente se salva junto.
Vou explicar aonde quero chegar.
Tive vontade de começar a escrever em uma tarde de domingo há algumas semanas. Sentada no alto de uma escada de construção, eu pintava as paredes da casa onde cresci e para onde me mudei durante a pandemia. Enquanto isso, ouvia AmarElo, do Emicida. O álbum me emociona do começo ao fim, assim como o documentário que conta a história do trabalho e mostra parte da grandeza do artista por trás dele. Um dos versos da canção Cananéia, Iguape e Ilha Comprida me sensibilizou de maneira especial. É aquele que diz: "Escrevo como quem manda cartas de amor". Escrever, para mim, é um grande ato de amor. Talvez o maior do qual eu seja capaz.
Por sorte, a escrita é parte essencial do meu trabalho. Sou jornalista, afinal. Mas, neste momento absurdo em que nos falta tanto, inclusive amor, sinto necessidade de escrever mais e com um propósito um pouco diferente daquele que tem o jornalismo. Sempre fui defensora das trocas de afeto presenciais. Até sermos surpreendidos pela pandemia, eu tinha plena convicção de que abraço, beijo e olho no olho são a salvação da humanidade. Só que tem outra coisa que nos preserva como espécie também: as histórias. Contar, ouvir, ler ou assistir nos une, confere sentido à nossa experiência neste planeta, reconfigura nosso passado, dá contorno ao presente e nos ajuda a fantasiar sobre um futuro onde estaremos vivos.
Sou desse tipo de gente que ama as histórias reais. Antes do texto, meu trabalho é caçar e ouvir pessoas que estejam dispostas a me contar algo. Também amo a ficção. E esse amor me levou a voltar à academia para pesquisar literatura, escrever sobre os livros e aqueles que os escrevem. Por tudo isso, estou também do outro lado do balcão: o de contadora. E é por ele que pretendo abrir este espaço.
Sem regras editoriais ou cronograma pré-estabelecido, quero trazer nestas cartas histórias que ouvi, reflexões sobre livros que li, filmes a que assisti. Já está no forno, por exemplo, uma entrevista que fiz com o escritor e ambientalista Ailton Krenak. Falei com ele durante a apuração da reportagem de capa que assinei na revista Crescer de abril. Lá publicamos só um trechinho. Na próxima carta que enviarei, trago a íntegra. Sempre que achar oportuno, trarei também sugestões de lugares (clubes de leitura, livros, filmes, séries, podcasts) onde a gente pode encontrar boas histórias.
Se curtir muito, pode indicar para quem você gosta. Se quiser responder, fique à vontade, eu vou adorar.
Obrigada e um beijo,
Giu
PARA FALAR, OUVIR E LER SOBRE AMOR
> Livro
Tudo sobre o amor: novas perspectivas Bell Hooks, Editora Elefante
Neste livro, Bell Hooks destrincha os significados e interpretações sobre o amor. Aponta as confusões que fazemos sobre o assunto e defende a possibiilidade de viver de uma forma mais amorosa.
> Clube de leitura
Em maio, o Clube Sereno lê O paraíso são os outros, de Valter Hugo Mãe (Editora Azul, 2018). O clube conduzido por Gabriela Paulo conversa sobre essa jóia em que uma pequena narradora conta sua visão sobre o amor entre os seres vivos.
> Podcast
Quer ouvir gente apaixonada pelo que está dizendo contar histórias sobre personagens ainda mais apaixonados? Ouça as meninas do Vinte Mil Léguas Submarinas. Na primeira temporada, que está no ar desde o fim do ano passado, elas contam a história de Darwin: o pesquisador e o escritor. Os episódios salvaram várias das minhas manhãs pandêmicas enquanto eu caminhava por uma praça aqui em São Paulo.
*Carta enviada por e-mail às pessoas assinantes da newsletter em 14 de junho de 2021.
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